Da série "Teses da PUC que até gostaríamos de ler"

This is a man's world, de James Brown


Nesta peça musical podemos encontrar a mais bem-acabada afirmação do discurso afro-americano fundamentalista que estabeleceu novos parâmetros para a música americana e até européia. Uma vez que seu legado musical refaz (à sua maneira, é claro) todo o percurso da história musical, de Bach a Schoenberg e seus discípulos serialistas, James Brown é a cereja do bolo que a música negra ora confeitava para ouvidos mais contemporâneos, desejosos de uma música tão complexa quanto a produzida pela erudição européia, porém menos consciente de si e mais intuitiva e visceral. O racionalismo do Continente Antigo, que aliás já tinha morrido inclusive em sua terra natal, encontra finalmente na América uma expressão, uma voz ou, ainda, um símbolo, capaz de sintetizar as influências européias sobre a percussão explosiva do continente africano.

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Na canção It's A Man's, Man's, Man's World [O mundo é dos homens] Brown contrapõe verso a verso as principais diferenças (ou as funções sociais mais características) de cada um dos sexos, sempre sob o ponto-de-vista peculiar do Protestantismo norte-americano enraizado nas texturas percusivas africanas. O mundo lá fora é árido, feito para homens fortes, brutos. Mas o que seria de toda essa força e progresso acaso inexistissem as mulheres?


James Brown - It's A Man's, Man's, Man's World

This is a man's world
This is a man's world
But it would be nothing
Nothing without a woman to care

You see man made the cars
To take us over the world
Man made the train
To carry the heavy load
Man made the electro lights
To take us out of the dark
Man made the bullet for the war
Like Noah made the ark
This is a man's man's, man's world
But it would be nothing
Nothing without a woman to care

Man thinks of our little baby girls And the baby boys
Man make them happy 'Cause man makes them toys
And aher man make everything, everything he can
You know that man makes money to buy from other man
This is a man's world
But it would be nothing, nothing
Not one little thing
Without a woman to care

He's lost in the wilderness
He's lost in the bitterness
He's lost, lost and .....

De Sartre aos emos

Não é possível, deve estar faltando um que de Bukowski à minha prosa. Hoje tantos compram a idéia de ser beat, loser ou, em bom português, um fracasso verdadeiro... E acham que para isso precisam bradar aos sete ventos que são adictos, boêmios e sozinhos sem motivo. Evidentemente tudo uma questão de estilo. Alegam não terem se enquadrado e vêem a vida de uma perspectiva mais sombria, com assombrosos arroubos de rock 'n' roll e existencialismo. E sempre, sempre aquele mesmo olhar blasé. Nada mudou, de Sartre aos emos.

De cerejas tatuadas nas espáduas, além de asas, metais indefectíveis trespassavam-lhe as narinas e sobrancelhas. Ao entrar na adolescência adotou uma postura praticamente imprevisível e passou a ouvir rockabilly, neo-swing e ia a baladinhas do tipo Milo, Funhouse (e uns outros mais alternativos.) Maconha é coisa de preto, ouvia nos lugares aonde ia. E nós, me disse um dia, nós gostamos é dos psico-ativos. Naquela época ela queria cobrir o braço, e já tinha dois desenhos em vista. Nada de tattoos de dragão, já que não abre mão da franja à moda Bettie Page.